Neste volume da Carta da ECCON, abordaremos as iniciativas da ECCON, seus clientes e parceiros que marcaram a construção de uma forte agenda positiva do Brasil durante a COP30, ocorrida na cidade de Belém, no Pará.

Contexto

A Conferência das Partes (COP) é o principal espaço global de negociação climática, reunindo cerca de 200 países para definir estratégias de mitigação, adaptação e financiamento no âmbito da Convenção do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC).

Desde a adoção do Acordo de Paris, em 2015, a COP passou a ter também a função de monitorar continuamente as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e avaliar o progresso rumo à meta global de limitação do aquecimento. A COP30, em particular, assume importância singular como a primeira conferência de avaliação desse ciclo, num momento em que os países precisam demonstrar resultados concretos e apresentar suas “NDCs 3.0”.

Nos fóruns preparatórios, foi recorrente o simbolismo de sediar a COP em Belém do Pará, no coração da floresta amazônica, reforçando a urgência de transformar conservação em desenvolvimento sustentável local. A escolha do local deu visibilidade à expectativa de que o agronegócio e outros setores produtivos se engajem em soluções mais sustentáveis. Também enfatizou a necessidade de acelerar a implementação das novas NDCs, dando prioridade à adaptação climática.

Discutiram-se temas como transição justa, Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), agricultura regenerativa, além da urgência de desenvolver metodologias nacionais robustas para reconhecer, acompanhar e financiar a conservação. O setor privado, por sua vez, ganhou crescente protagonismo, com representantes afirmando que decisões corporativas serão diretamente afetadas pelas resoluções da COP, demandando alinhamento dos investimentos à economia de baixo carbono.

Um dos pontos que mais geraram expectativa era o avanço dos mercados de carbono, com esperança de que Belém aprovasse regras claras (sobretudo no âmbito do Artigo 6) garantindo integridade ambiental e promovendo harmonização internacional de critérios, essencial para países exportadores de créditos, como o Brasil. Ao mesmo tempo, havia forte atenção ao debate sobre petróleo e gás, em um contexto global cada vez mais polarizado.

O que foi a COP30

A COP30 inaugurou um ciclo voltado para a implementação concreta do Acordo de Paris. Diferentemente de edições anteriores, que foram dominadas por diretrizes, negociações procedimentais e construção normativa, a COP em Belém foi planejada e reconhecida pela comunidade internacional como a “COP da Implementação”, exigindo que os países traduzissem seus compromissos em ações reais. Esse caráter pragmático se refletiu no conjunto de decisões adotadas, que visam fortalecer instrumentos para ação imediata e reorganizar o esforço climático global para a próxima década. A opção por sediar o evento em uma região diretamente afetada pelas mudanças climáticas influenciou profundamente a natureza do debate: em meio à Amazônia, as discussões sobre conservação, transição energética e justiça climática ganharam protagonismo e urgência.

Entre os temas centrais da COP30 estiveram financiamento climático, transição energética, mercado de carbono, restauração florestal, agricultura regenerativa, monitoramento da Amazônia e a aplicação de tecnologias (inclusive inteligência artificial) em soluções baseadas na natureza. A cidade de Belém refletiu esse espírito: participantes descreveram a “floresta presente em todos os espaços”, destacando o intenso intercâmbio entre a Blue Zone (área oficial de negociações) e a Green Zone (espaço de inovação, empresas, ONGs e sociedade civil), simbolizando a integração entre território, ciência, cultura e diplomacia. Além disso, havia diversos outros espaços, fora da Blue da Green Zone. Espaços de debate público, como a “Cúpula dos Povos”, a Agrizone (dentro da Embrapa), a Freezone, dentre outras. Ainda, diversas instituições organizaram “Casas” distribuídas por diferentes locais da cidade de Belém, com temas específicos e com participação bem plural no decorrer de todas as duas semanas da COP.

Embora não tenha havido consenso para incorporar formalmente ao texto final um plano global de abandono de combustíveis fósseis, a presidência da COP30 comprometeu-se a elaborar, ao longo de 2026, roteiros globais para desmatamento e transição energética, um resultado político relevante, ainda que não formalizado.

Um dos marcos mais significativos da conferência foi a adoção da Decisão Mutirão, pacote que reúne compromissos e mecanismos para acelerar a implementação climática. Por meio dele, foram lançados: o Acelerador Global de Implementação (destinado a apoiar países na execução de NDCs e planos de adaptação), a Missão Belém para 1,5 °C (para articular cooperações e investimentos em mitigação e adaptação) e um programa de trabalho específico para financiamento climático.

Outro avanço foi a aprovação dos Indicadores de Belém para o Objetivo Global de Adaptação, definindo parâmetros concretos para monitorar o progresso em adaptação, com métricas que permitem aos países construir políticas e relatórios mais coerentes. Com esses indicadores, a COP30 marcou o início de um ciclo em que “entregar resultados” passa a ser mandatário. Pela primeira vez, a adaptação será monitorada com métricas comparáveis e exigirá evidências concretas — não apenas planos.

A COP30 também se destacou pela participação expressiva de povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil. O evento resgatou saberes ancestrais e valorizou modos de vida como parte essencial da agenda climática, elevando a visibilidade de demandas por justiça territorial, cultural e ambiental. A participação social foi intensa, tanto nos espaços formais quanto nos informais. Na Blue zone, mais de 42 mil pessoas tiveram sua presença registrada. Na Green Zone, cerca de 300 mil pessoas, de acordo com dados do governo. O aeroporto de Belém recebeu 25% a mais de passageiros, sendo um total de quase 200 mil pessoas somente entre os dias 1 e 15 de novembro.

Efeitos da COP30 para o Brasil

Para o Brasil, a COP30 teve impactos relevantes em múltiplas dimensões. Politicamente, reafirmou sua posição como liderança climática global, defendendo a harmonização de regras nos mercados de carbono, a ampliação do financiamento climático e o reconhecimento das soluções baseadas na natureza. Sediar a conferência atraiu atenção internacional sobre a governança ambiental nacional, seus avanços e desafios, e impulsionou ajustes regulatórios, notadamente em relação às NDCs, ao plano de adaptação nacional e às diretrizes de desmatamento zero.

No plano econômico, a COP30 estimulou investimentos e expectativas em bioeconomia, transição energética, infraestrutura sustentável e finanças verdes. O Brasil se posicionou como potencial exportador de créditos de carbono de alta integridade, sobretudo decorrentes de conservação e restauração florestal. Para que isso se concretize, entretanto, será fundamental desenvolver metodologias robustas para áreas de alta floresta e baixo desmatamento, tema este amplamente debatido em Belém. O setor privado nacional demonstrou crescente sensibilidade às tendências globais, ajustando práticas para garantir rastreabilidade, conformidade ambiental e métricas socioambientais consistentes.

No âmbito social e territorial, a conferência reforçou a importância dos povos indígenas, comunidades tradicionais e populações amazônicas como guardiões do clima. A visibilidade internacional alcançada fortaleceu pautas de direitos territoriais, valorização cultural e participação dessas comunidades na definição de políticas públicas. A ideia de que “conservação deve se traduzir em prosperidade local” ganhou força, contemplando também o engajamento do agronegócio e o desenvolvimento de cadeias produtivas mais sustentáveis.

A presença do agro também foi notada. A Embrapa Amazônia Oriental hospedou a AgriZone, um espaço onde novas tecnologias, pesquisas, ciência, cooperação internacional e debates foram realizados. O Brasil mostrou que o agro tem trazido inovações para a agricultura sustentável e contribuindo para a segurança alimentar, e que o setor tem como contribuir para a mitigação de mudanças climáticas pelo uso de tecnologias.

Impacto para os negócios

A definição dos Indicadores de Adaptação de Belém cria um novo patamar de exigência para o setor privado. Pela primeira vez, adaptação passa a ter métricas para temas como recursos hídricos, ecossistemas, infraestrutura, saúde e meios de subsistência, e isso desloca o debate de boas práticas para resultados mensuráveis. Para as empresas, esse movimento implica revisar avaliações de risco climático, aprimorar sistemas de monitoramento e alinhar operações e cadeias de suprimento a parâmetros que serão incorporados em políticas públicas, financiamentos e critérios de due diligence.

Paralelamente, as discussões do Artigo 6 do Acordo de Paris reforçaram a direção de que o mercado internacional de carbono caminha para padrões mais rigorosos de integridade e rastreabilidade. Mesmo sem o avanço completo das regras do 6.4, ficou evidente que projetos que pretendem gerar créditos transacionáveis precisarão atender a requisitos mais robustos de adicionalidade, governança, monitoramento e transparência. Para negócios baseados em conservação, restauração ou práticas agropecuárias de baixa emissão, isso sinaliza tanto desafios regulatórios quanto uma oportunidade de diferenciação: somente quem tiver metodologias sólidas, e documentação consistente, conseguirá acessar o mercado global.

Em conjunto, adaptação e Artigo 6 apontam para um ambiente empresarial onde conformidade climática deixa de ser complementar e passa a estruturar decisões operacionais, investimentos e modelos de negócio. A COP30 deixou claro que empresas capazes de medir riscos climáticos, comprovar resultados e operar dentro de padrões internacionais terão mais acesso a financiamento, maior segurança jurídica e vantagem competitiva em setores que dependem de recursos naturais, território e cadeias produtivas complexas.

Cobertura da COP30 por ECCON, Cubo Itaú e Youth COP

Com o objetivo de integrar empresas e lideranças do mercado à COP30, a ECCON firmou uma parceria com o Cubo Itaú e a Youth COP para a realização de 3 encontros, sendo dois virtuais e um presencial em São Paulo.

Nossa equipe participou dos encontros online diretamente de Belém, em espaços da COP30. O encontro presencial foi realizado na sede do Cubo Itaú, em São Paulo.

Ao todo, foram quase 5 horas de discussões aprofundadas com 6 especialistas da ECCON, 3 especialistas da Youth COP e 2 especialistas do Cubo Itaú. 

Paineis da ECCON na Blue Zone

A ECCON esteve com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), no Food and Agriculture Pavilion para falar sobre “Financing nature and resilience in fragile contexts: from hunger relief to long-term climate solutions”. O encontro contou com a presença do nosso sócio-diretor Yuri Marinho, que contribuiu ao lado de representantes do ACNUR, do Centro do Clima do Crescente Vermelho da Cruz Vermelha e da Aliança Bioversity International & CIAT.

Na Blue Zone, a ECCON esteve também com Itaúsa, Health in Harmony, Instituto Arapyaú e Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), na House of Restoration, para falar sobre “Restauração e Comunidades: um caminho para resiliência climática”. O encontro foi mediado por nosso gerente de carbono, Marcelo Stabile, e reuniu Ashley Emerson (Health in Harmony), Fernanda Gomes (IIS), Miguel Calmón (Conservação Internacional – CI) e Vinícius Ahmar (Instituto Arapyaú).

Ainda na House of Restauration, a ECCON esteve com o IIS para falar sobre o Observatório de Pagamento por Serviços Ambientais (OPSA). O encontro contou com a presença do nosso sócio-diretor, Yuri Marinho, que contribuiu ao lado da Bruna Fatiche Pavani (IIS), Bruna de Vita (Ministério do Meio Ambiente), Priscila Matta (Natura), Rubens Benini (TNC), Ângela de Jesus (FETAGRI), Gunārs Platais (Universidade do Colorado) e Iuri Cardoso (Coalizão).

Painel da ECCON na Green Zone

A ECCON esteve com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, na CNT, para falar sobre o “Acesso ao financiamento das práticas regenerativas e valoração dos serviços ambientais via agenda climática”. O encontro contou com a mediação de nossa gerente de projetos, Maria Cecilia, e reuniu Ana Carolina Carregaro (Nestlé), Lúcia Nicola (Itaú Unibanco) e Yuri Feres (Rainforest Alliance).

Painel da ECCON na AgriZone

Na AgriZone, a ECCON esteve com a Citrosuco e a Reservas Votorantim para falar sobre “Projetos de carbono para a agricultura: aplicação prática da Citrosuco com a metodologia PSA Carbon Agro Perene”. O encontro contou com a presença de nosso sócio-diretor, Yuri Marinho, e nosso gerente de carbono, Marcelo Stabile, ao lado de Orlando Nastri (Citrosuco), e Tatiana Motta Grillo Guimarães (Reservas Votorantim).

Paineis da ECCON em espaços de clientes e parceiros

Fora do ambiente da COP, a ECCON realizou uma série de eventos com clientes e parceiros.

Estivemos com a Reservas Votorantim, B3 e ACX Global, na EY House (Espaço Legado & Futuro Votorantim), para falar sobre “Mercado de carbono no Brasil: metodologias, registros e soluções de impacto”. O encontro contou com a presença de nosso gerente de expansão, Fernando Montanari, que contribuiu ao lado de David Canassa (Reservas Votorantim), Ana Buchaim (B3) e Lourdes Machado e Carlos de Mathias Martins Junior (ACX Global).

No auditório da Casa Cubo, falamos sobre “Descarbonização no Agro”. O encontro contou com a mediação de nossa gerente de projetos, Maria Cecilia, e participação de nossa coordenadora de projetos, Camilla Olival, ao lado de Raquel Montagnoli (CNH), Orlando Nastri (Citrosuco) e Patrícia Grossi (Acelen).

Ainda na Casa Cubo, falamos sobre “Soluções baseadas na natureza: o que as experiências do passado no ensinam para o futuro”. O encontro contou com a mediação de nosso sócio-diretor, Yuri Marinho, e reuniu Marília Robles (Heineken), David Canassa (Reservas Votorantim), Guilherme Peixoto (B3), Elson Fernandes de Lima (FSC) e Caio Cunha (Porto do Açu).

A ECCON esteve com a Reservas Votorantim, Citrosuco, B3, ACX Global, PepsiCo e BNDES, na EY House, para falar sobre “Governança de Carbono no Brasil: integridade, inovação e escala”. O encontro contou com a abertura e encerramento de nosso sócio-diretor, Yuri Marinho, o diretor executivo da Reservas Votorantim, David Canassa e nossa gerente de Riscos e ESG, Julia Lenzi.

O primeiro painel contou com a mediação de nosso gerente de carbono, Marcelo Stabile, e reuniu Suelma Rosa (PepsiCo), Marta Bandeira de Freitas (BNDES) e Tatiana Motta Grillo Guimarães (Reservas Votorantim).

O segundo painel contou com a mediação de nossa coordenadora de Riscos e ESG, Tatiana de Aguiar, e reuniu Tatiana Motta Grillo Guimarães (Reservas Votorantim), Orlando Nastri (Citrosuco), Natália Chiaroni (B3) e Lourdes de Alcantara Machado (ACX).

Também na EY House, a ECCON esteve com a Reservas Votorantim e a Citrosuco para falar sobre “Agricultura, Clima e Soluções Baseadas na Natureza: PSA Carbon Agro”. O encontro contou com a participação de nosso gerente de carbono, Marcelo Stabile, ao lado de David Canassa (Reservas Votorantim), Orlando Nastri (Citrosuco) e Geisa Principe (Ecolance).

Por fim, a ECCON esteve com o Woodwell Climate Research Center e a Health in Harmony, na TED Countdown House, para falar sobre “A pathway to ethical community-driven nature-based crediting”. O encontro contou com a mediação de Gonzalo Muñoz Abogabir (Ambition Loop), participação de nossa coordenadora de Riscos e ESG, Tatiana de Aguiar, ao lado de Mitã Xipaya (Comunidade Xipaya), Malu Paiva (Suzano), Wayne Walker (Woodwell) e Ashley Emerson (Health in Harmony).

Na imprensa, contribuímos com o Times BRASIL – Licenciado Exclusivo CNBCProdutora BrasileiraRedeTV!Um Só Planeta e Valor Econômico

Acompanhe, abaixo, os desdobramentos.

Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

Produtora Brasileira

RedeTV!

Um Só Planeta

Valor Econômico

Um Só Planeta

Temos nos dedicado cada vez mais a organizar discussões e eventos em diferentes lugares do mundo para contribuir com a agenda positiva do Brasil.

Este ano, na COP30 em Belém, além dos nossos eventos, participamos de fóruns de debate preparados por nossos parceiros e clientes, com destaque para a parceria realizada com o Cubo Itaú.

Somos gratos pelas oportunidades mútuas criadas. Escutamos ativamente os anseios, preocupações e soluções propostas, ao mesmo tempo em que compartilhamos nossos 11 anos de história e mais de 500 projetos realizados.

Inscreva-se!

* indica obrigatório