Neste volume da Carta da ECCON, abordaremos as discussões ocorridas na London Climate Action Week e a necessidade de reconstrução das cidades frente às mudanças climáticas.

Contexto

London Climate Action Week (LCAW) é um dos principais encontros internacionais voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas. Reúne cerca de 75 mil pessoas ao longo de uma semana, tradicionalmente no mês de junho.

Este encontro não acontece sob o sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), como é o caso das COPs (Conferência das Partes), tendo natureza corporativa e privada. Mas, é marcado também pela presença de autoridades públicas europeias.

Assim como acontece nas semanas do clima (“Climate Week” em inglês) de Nova York e São Paulo, a LCAW viabiliza centenas de eventos em toda a cidade de Londres, acelerando discussões e soluções para o enfrentamento das mudanças do clima.

Especialmente em 2026, o evento foi marcado por uma onda de calor que atingiu a Europa, resultado inquestionável das mudanças climáticas, fazendo com que termômetros registrassem temperaturas muito acima do padrão e inviabilizando o funcionamento do transporte público e a segurança em locais coletivos.

Participação da ECCON

A ECCON esteve representada por nosso Sócio Diretor, Yuri Rugai Marinho, com o objetivo de buscar oportunidades e soluções para nossos clientes e parceiros, acompanhar discussões estratégicas e apresentar uma agenda positiva para o Brasil.

Participamos de debates sobre negócios, financiamento, meio ambiente, clima, mercado de carbono e biodiversidade. Estivemos em painéis técnicos, reuniões e encontros com diferentes atores da agenda climática internacional, especialmente relacionados aos setores do agronegócio, energia, indústria e mercado financeiro.

Contribuímos, também, com conteúdo para a imprensa brasileira e a “tradução” do evento para nossos parceiros com textos e vídeos nas nossas redes sociais.

Estivemos em mais de 20 encontros e produzimos conteúdo consumido por mais de 260.000 pessoas em nosso mailing e redes sociais, o que trouxe grande impacto à nossa participação.

Experiência de Londres com reconstrução

Londres é uma cidade acostumada a se reconstruir. Ao longo de quase dois mil anos, atravessou invasões, epidemias, guerras, crises sanitárias, incêndios e profundas transformações econômicas. Em cada ciclo, precisou reorganizar ruas, redes, instituições, hábitos urbanos e formas de convivência, tornando-se uma referência histórica de adaptação diante de grandes choques.

O desafio atual, porém, é diferente. Não se trata de uma invasão, peste ou incêndio concentrado no tempo, mas de uma alteração progressiva das condições físicas que tornam a cidade habitável. O calor extremo, cada vez mais frequente, já interfere na mobilidade, na saúde pública, na infraestrutura urbana e na produtividade econômica.

Durante a LCAW, essa percepção deixou de ser abstrata. Enquanto ocorriam debates sobre transição climática, financiamento e implementação, a própria cidade enfrentava temperaturas muito acima do padrão, com impactos visíveis no transporte público, em estações, ônibus, deslocamentos cotidianos e na segurança de espaços coletivos.

A experiência evidenciou que Londres foi desenhada e modernizada para outro clima. Grande parte de suas casas, prédios, estações e sistemas urbanos foi concebida para proteger do frio e conservar calor. Em um contexto de verões mais severos, essa lógica pode transformar ambientes internos e infraestruturas em espaços vulneráveis ao superaquecimento, exigindo novas soluções de ventilação, sombreamento, eficiência energética e planejamento urbano.

A nova reconstrução de Londres provavelmente não será marcada por uma grande obra inaugural, mas por milhares de decisões técnicas, políticas e financeiras tomadas em camadas: arborização, drenagem, materiais urbanos, edifícios mais eficientes, proteção de populações vulneráveis, gestão de emergências e integração entre transporte, saúde, habitação e planejamento. A principal lição é que adaptar cidades ao novo clima deixou de ser apenas uma agenda ambiental; tornou-se uma estratégia de proteção econômica, social e territorial.

Adaptação e reconstrução necessária nas cidades

A experiência de Londres não é isolada. Cidades europeias como Paris, Madri, Roma, Berlim e Atenas também têm enfrentado ondas de calor, secas, enchentes, incêndios e pressão crescente sobre seus sistemas de transporte, energia, saúde e habitação. Em outras regiões do mundo, grandes centros urbanos costeiros, cidades ribeirinhas, metrópoles tropicais e assentamentos informais vivem desafios semelhantes, ainda que com capacidades institucionais e financeiras muito diferentes.

A própria UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) reconhece que o mundo já vive mudanças de temperatura média, estações alteradas e aumento da frequência de eventos climáticos extremos, e que adiar a adaptação torna a resposta mais difícil e mais cara. A adaptação, nesse contexto, significa ajustar estruturas, práticas, políticas públicas, modelos de negócio e sistemas sociais para reduzir danos e aumentar a resiliência diante dos impactos climáticos atuais e futuros.

Segundo a ONU, cerca de 3,6 bilhões de pessoas (quase metade da população global) já são altamente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, incluindo secas, enchentes, tempestades, estresse térmico e insegurança alimentar. O UN-Habitat também alerta que as cidades estão na linha de frente da crise climática: além de concentrarem pessoas, ativos e infraestrutura expostos a riscos, muitas áreas urbanas sofrem com desigualdades que ampliam a vulnerabilidade dos grupos mais pobres.

Essa realidade reforça que a reconstrução climática das cidades precisa combinar mitigação e adaptação. Reduzir emissões continua indispensável, mas já não é suficiente para proteger populações, economias e infraestruturas. Será necessário redesenhar sistemas urbanos para lidar com calor extremo, alagamentos, escassez hídrica, deslizamentos, elevação do nível do mar, interrupções de energia e riscos à saúde pública.

A agenda, portanto, não deve ser tratada como excepcional ou distante. Assim como Londres precisa adaptar edifícios, transporte e espaços públicos a um clima mais quente, outras cidades precisarão revisar seus planos diretores, códigos de construção, sistemas de drenagem, áreas verdes, infraestrutura crítica e mecanismos de financiamento. A reconstrução necessária será menos simbólica do que prática: uma transformação contínua da forma como as cidades são planejadas, operadas, financiadas e protegidas.

Para mais informações, acesse nosso site ou entre em contato: contato@ecconsa.com.br

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Yuri Rugai Marinho 

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