Neste volume da Carta da ECCON, destacaremos os principais pontos trazidos nos painéis realizados no Hub ECCON | CIVI-CO, durante a São Paulo Climate Week 2026.
Contexto
Entre os dias 03 e 07 de agosto de 2026, o Hub ECCON | CIVI-CO reuniu especialistas, lideranças empresariais, representantes do poder público, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e profissionais do setor ambiental para debater soluções capazes de acelerar a agenda climática e ambiental no Brasil.
Organizado pela ECCON em parceria com o CIVI-CO, o Hub promoveu discussões sobre alguns dos principais temas das agendas climática e ambiental.
A iniciativa reforça a atuação da ECCON como uma das principais consultorias brasileiras em meio ambiente e clima, com projetos desenvolvidos junto ao setor privado, governos, academia e filantropia, além da participação ativa em debates nacionais e internacionais.
A programação contou com o patrocínio de Pinheiro Neto Advogados, Women in Carbon, Imaflora, Mattos Filho, Sylvera e Impact Hub, além do apoio institucional do Pacto Pelo Agora, Pacto Global da ONU – Rede Brasil, O Mundo Que Queremos e Insper.
Ao longo da semana, foram realizados 16 painéis e diálogos, reunindo 62 especialistas de diferentes setores e um público de aproximadamente 700 pessoas. O auditório permaneceu lotado durante toda a semana, refletindo o crescente interesse e engajamento de empresas, investidores, governos, academia e organizações da sociedade civil em torno dos debates sobre clima, natureza e desenvolvimento sustentável.
03/08 | Mercado e Soluções Climáticas: financiamento, inovação e oportunidades para a transição
O primeiro dia foi dedicado aos mecanismos necessários para transformar ambição climática em implementação. Representantes do Santander Brasil, iCS, Funbio e CEBDS debateram formas de ampliar o acesso a recursos para projetos de clima, restauração e bioeconomia, destacando a importância da mitigação de riscos, da capacitação local e da estruturação de projetos escaláveis.
Na sequência, os debates sobre inovação, sustentabilidade e liderança climática reuniram especialistas do Insper, que destacaram o potencial brasileiro em áreas como biodiversidade, bioeconomia e biotecnologia, além da importância da formação de lideranças capazes de conectar ciência, negócios e políticas públicas.
No painel sobre a estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), representantes do Ministério da Fazenda, ACX Brasil e Ludovino Lopes Advogados discutiram os avanços regulatórios do mercado de carbono. Entre os destaques estiveram as consultas públicas em andamento, a construção da infraestrutura do sistema, os critérios para definição dos setores regulados e temas como rastreabilidade, MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) e integração com mercados internacionais.
Encerrando a programação, representantes do Banco do Brasil, CNH, Porto do Açu e Ministério dos Transportes discutiram o papel da tecnologia na descarbonização da economia. Os debates destacaram o potencial da inteligência artificial, do etanol, do biometano e da biomassa para reduzir custos e emissões, além da importância da cooperação entre governo e setor privado para acelerar a adoção de soluções climáticas.
04/08 | Carbono e Biodiversidade: integrando mercados, conservação e desenvolvimento
O segundo dia colocou em destaque a conexão entre biodiversidade, carbono e desenvolvimento territorial. Representantes da Partners for Forests (P4F), KPTL, Genera Bioeconomia e Impact Hub São Paulo debateram como a bioeconomia, a restauração e os negócios da floresta podem atrair investimentos, gerar renda e fortalecer economias locais, transformando ativos naturais em oportunidades de conservação e desenvolvimento.
A programação contou ainda com uma apresentação da Sylvera, que compartilhou tendências do mercado global de carbono e destacou a crescente demanda por ativos de alta integridade, além do papel de dados e monitoramento na redução de riscos e no aumento da confiança dos investidores.
Encerrando o dia, representantes da Petrobras, Natura, Fundação Florestal e do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) discutiram experiências de monitoramento e valorização da biodiversidade. Os debates ressaltaram a importância de métricas consistentes, da integração entre clima e natureza nas estratégias corporativas e do papel dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e da restauração ecológica na geração de valor ambiental, social e econômico.
05/08 | Transição Energética: caminhos para uma economia de baixo carbono
O terceiro dia destacou a transição energética como uma oportunidade de geração de valor, competitividade e inovação. No primeiro painel, representantes do ISE Business School debateram como empresas, especialmente pequenas e médias, podem avançar na gestão de energia e emissões por meio de eficiência operacional, indicadores ESG e ferramentas de diagnóstico, transformando a gestão de carbono em um diferencial competitivo.
Na sequência, representantes do Pacto Pelo Agora, CETESB, Vale, IWA Asset Management e Gaia Silva Gaede Advogados (GSGA) discutiram o potencial de investimentos em biomassa, biometano, biocombustíveis e outras rotas de descarbonização. Os debates reforçaram a necessidade de segurança regulatória e de maior integração entre setor público, iniciativa privada e investidores para converter o potencial brasileiro em novos negócios e projetos.
Encerrando o dia, especialistas da ComBio, Vale, AMCHAM Brasil e Pinheiro Neto Advogados compartilharam experiências práticas de descarbonização e destacaram que governança, inovação e metas climáticas já são fatores estratégicos para a competitividade empresarial. A conclusão foi que as soluções existem; o próximo passo é ampliar escala, investimentos e capacidade de implementação.
06/08 | Agricultura e Floresta: produção sustentável, clima e natureza
A agenda do quarto dia destacou os desafios e oportunidades para tornar os sistemas alimentares mais resilientes às mudanças climáticas. Representantes do Imaflora, FGV Earth, Citrosuco e Pacto Global da ONU – Rede Brasil discutiram como agricultura regenerativa, rastreabilidade e monitoramento ambiental podem fortalecer a competitividade do agro brasileiro, além da necessidade de adaptar métricas e metodologias às características dos biomas e cadeias produtivas nacionais.
Outro destaque foram os debates sobre concessões de manejo e restauração florestal, com participação de especialistas do Imaflora, TNC Brasil, Serviço Florestal Brasileiro, IDEFLOR-Bio, BNDES, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), SEMA/AP e SEMAS/PA. As discussões abordaram mecanismos para ampliar a escala da conservação, restaurar áreas degradadas e criar incentivos econômicos capazes de manter a floresta em pé, gerando benefícios para os territórios e suas comunidades.
Encerrando o dia, representantes da David Canassa – Strategy Advisory, Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Rede de Inteligência em Agricultura e Clima (RIAC), O Mundo Que Queremos e Santos Neto Advogados discutiram agricultura regenerativa e projetos de carbono. Os debates destacaram a importância da geração de dados, do desenvolvimento de metodologias adaptadas à realidade brasileira, da segurança jurídica e da redução de riscos para produtores rurais. Também ganharam espaço temas como bioinsumos e novas oportunidades econômicas ligadas à transição para uma agricultura de baixo carbono.
07/08 | Cooperação Internacional: parcerias para acelerar a ação climática
O último dia foi dedicado ao papel da cooperação internacional na aceleração da agenda climática brasileira. Representantes da Tendências Consultoria, Strings, LaClima, GIZ e Women in Carbon discutiram como o contexto geopolítico influencia os fluxos de investimento, as negociações climáticas e o desenvolvimento do mercado de carbono. Os debates destacaram a importância de ampliar o acesso ao financiamento climático, fortalecer governanças locais e garantir maior participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e lideranças territoriais nos processos de tomada de decisão.
No painel de encerramento, especialistas do Mattos Filho, re.green, IPAM Amazônia e IETA debateram os desafios para ampliar investimentos em restauração, conservação e combate ao desmatamento. As discussões reforçaram a necessidade de segurança jurídica, integridade socioambiental, articulação entre diferentes atores e mecanismos capazes de dar escala a projetos de clima e natureza, consolidando o papel do Brasil como protagonista da transição para uma economia de baixo carbono.
Conclusão
Ao longo dos cinco dias de programação, ficou evidente que o Brasil já reúne ativos estratégicos para liderar a transição para uma economia de baixo carbono, incluindo biodiversidade, matriz energética renovável, capacidade de inovação e um ecossistema crescente de soluções climáticas.
Ao mesmo tempo, é notório que o principal desafio está em transformar esse potencial em projetos capazes de alcançar escala. Temas como regulação, financiamento, segurança jurídica, inovação tecnológica e articulação entre setores estiveram presentes em todos os painéis, independentemente do tema discutido.
Mais do que promover debates, o Hub ECCON | CIVI-CO consolidou-se como um espaço de conexão entre empresas, investidores, governos, academia e organizações da sociedade civil. As discussões demonstraram que o país já possui conhecimento e soluções para avançar na agenda climática, mas que seu sucesso dependerá da capacidade de financiar, implementar e ampliar iniciativas com impactos ambientais, sociais e econômicos duradouros.
A ECCON Soluções Ambientais agradece aos patrocinadores, apoiadores institucionais, palestrantes, moderadores e participantes que contribuíram para o sucesso da iniciativa e reafirma seu compromisso com a promoção de espaços de diálogo e construção coletiva que fortaleçam o protagonismo brasileiro na agenda global de clima, natureza e desenvolvimento sustentável.
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Kássia Teles Paiva
Yuri Rugai Marinho